Quem passou na frente de alguma loja de games neste sábado, 21 de maio, deve ter notado algo diferente. Em um shopping na região da avenida Paulista, em São Paulo, havia uma fila na porta. Curioso, já que lojas do gênero não costumar ficar lotadas.
Por enquanto, este é o resultado mais chamativo do Jogo Justo – Fase 2, campanha organizada pela Associação Comercial, Industrial e Cultural de Games, criada em janeiro.
Desta vez, um lote especial de 58 mil cópias de games foi colocado à venda em lojas físicas e virtuais. E quem quisesse comprar, pagava apenas o valor do imposto.
Quem é nintendista, levou para casa por R$ 99,90 o Super Mario Galaxy 2, para Wii, ou o The Legend of Zelda: Spirit Tracks, para Nintendo DS, ou um dos outros cinco títulos disponíveis da Nintendo, todos de franquias importantes da Big N. Tais títulos custam, em média, R$ 199.
A ação de protesto começou às 10 horas. Na loja que visitamos, todo o estoque havia acabado em menos de 50 minutos. Na internet, ainda havia lojas vendendo à tarde.

Ecossistema dos games: evento reúne representantes dos jogadores, imprensa, governo e distribuidora de jogos eletrônicos
No momento em que a campanha começou, um evento era realizado na sede da Federação do Comércio de São Paulo para a imprensa e empresários. De tempos em tempos, as palestras eram interrompidas com divulgações parciais de números de vendas. Moacyr Alves Jr., idealizador do projeto e presidente da Acigames comemorava: “Dois jogos estão sendo vendidos por segundo!”.
Por que os games são caros?
De acordo com o palestrante Marcos Chien, advogado especialista em tributação, os videogames no Brasil são vistos como jogos de azar. Além disso, por serem feitos em outros países, precisam ser caros para não prejudicarem a indústria nacional de jogos. Assim, quando você compra um game, metade do preço é imposto. A proposta é que a taxa caia para 15%, aproveitando uma lei existente que beneficia computadores.
Os organizadores do Jogo Justo acham que isso é possível, pois consoles de mesa ou portáteis são computadores. “Videogames também têm unidade de memória, processam dados e têm entrada e saída para periféricos [controles no lugar de teclado e mouse]”, disse Chien.
Não é para todos
O governo federal estava no evento, mas por meio de representantes do Ministério da Justiça. “Se um jogo não for classificado por nós, não pode ser vendido no Brasil, mas não fazemos censura”, avisou Rafael Vilela que estava lá para explicar porque um jogo é livre ou não indicado para menores de 18 anos. O processo não é muito difícil. A classificação depende do nível de violência e de outros temas adultos em cada título.
O importante, resume Rafael, é que os pais pensem bem antes de comprar game violento para os filhos. E que os lojistas não vendam jogos restritos para crianças. A multa é alta: de três a 20 salários mínimos.

Anderson apoia Jogo Justo e concorda que é preciso mudar a consciência dos jogadores
Esforços para o futuro
Talvez você tenha se perguntado: o que pode ser feito para que a situação dos games mude por aqui? O primeiro passo é acabarmos com a pirataria. Já a Acigames pretende investir em ações culturais e educacionais, como palestras e cursos. Depois, é mudar as regras de tributação.
Para Moacyr Alves Jr ainda é preciso ter um pouco de paciência, pois este tipo de mudança demora para ocorrer. Felizmente, o governo federal reconhece a causa e quer ouvir os gamers brazucas.
Quem tem bastante a dizer é Anderson Marcos Valério, de 15 anos. “O importante do Jogo Justo é que há um lado cultural e educativo”, diz. O estudante apoia a campanha, mas concorda que muitos jogadores acabam esquecendo do verdadeiro objetivo da campanha e acabam apenas aproveitando o dia para comprar games mais baratos.




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