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domingo, 27 de novembro de 2011

X-Men Destiny

Quando no universo dos videojogos se fala em adaptações, as opiniões divergem: metade das pessoas (os informados) tem a certeza que o jogo vai ser mau por culpa de experiências passadas enquanto que a outra metade, ingénua (“olha que capa tão bonita”), pensa que o seu conteúdo é magnífico e acaba por comprar. Salvo raríssimas excepções, este acaba por ser um mau investimento que se traduz numa depressão a curto prazo. Será X-Men Destiny capaz de fugir a este triste fado? 

Após a morte de Charles Xavier, o líder dos X-Men, pelas mãos de Bastion, um robot proveniente do futuro, a facção mutante perdeu a união que lhe era característica. EmboraCyclops tenha assumido um papel preponderante nesta passagem forçada de testemunho, tentando sempre manter a paz e a estabilidade entre humanos e os “homo superior”, um número de acontecimentos adversos levou a um insustentável extremismo entre raças: à semelhança do que acontece com aBrotherhood (liderada porMagneto), que não acredita na coexistência entre humanos e mutantes, também os Purifiers,homo sapiens comuns, pretendem extinguir a todo o custo esta espécie que se julga superior.

Volvido cerca de um ano, a cidade de São Francisco serve de palco para a cerimónia de conciliação entre as duas raças rivais. A Mutant Response Division (MRD), organização governamental liderada por Luís Reyes (personagem criada propositadamente para o jogo), junta-se então aos X-Men de modo a promover a igualdade e a paz… que não dura mais do que cinco minutos. Após um estranho ataque, cuja responsabilidade se atribui quase de imediato ao desaparecido Magneto, a população entra naturalmente em pânico e os Purifiers partem em busca de alguns mutantes mais vulneráveis. Só um “milagre” poderá fazer com que tudo mude de figura.

Esse “milagre” poderá ter três diferentes nomes: Grant Alexander, um estudante universitário que ambiciona ser jogador profissional de futebol americano, Aimi Yoshida, uma rapariga japonesa filha de mutantes que chega clandestinamente à América para sua própria salvação (embora sinta que tenha sido abandonada), e Andrian Luca, um homem que cresceu juntamente com os Purifiers e que busca honrar os ideais do seu falecido pai, desprezando a raça mutante.

Embora o historial destas personagens seja completamente distinto, todas elas têm um aspecto em comum: o “despertar” dos seussuperpoderes perante uma situação de grande aperto. Cada um dos protagonistas tem, em teoria, a sua própria história e introdução, contudo não se verifica qualquer variação no decorrer dos acontecimentos mediante a nossa escolha: existe uma campanha única e linear onde as alterações se processam, acima de tudo (para não dizer exclusivamente), ao nível dos diálogos, tanto nascutscenes como nos diversos momentos em que temos de manter uma “conversa” com osNPCs.

É exactamente nestes instantes de interacção que poderemos alterar minimamente o nosso “destino”. Através do surgimento de uma caixa de diálogo, que nos apresenta um número escasso de possibilidades pré-definidas (o que torna a conversa algo “morta” e sem interesse), teremos a oportunidade de escolher entre os X-Men e aBrotherhood, aceitando ou recusando as missões da facção que mais nos agrada. Poderemos até cumprir missões para as dois lados, porém, se a nossa barra de escolha começar a pender intensamente para uma das facções, tornar-se-á impossível cumprir as missões do grupo de mutantes rival. Se estão à espera que as vossas decisões tenham influência nas cinemáticas, nos poderes e no visual da personagem tal como acontece em InFamous, esqueçam: o resultado dos nossos actos resume-se àquilo que mencionei acima.

E se a principal premissa de X-Men Destiny não convence, os restantes elementos também não fogem muito à regra. Começando pela apresentação, esta pode-se considerar mediana: não chega ao fracasso que foi Thor: God of Thunder mas também não sai da onda geral das adaptações de franquias ao universo dos videojogos, mantendo um visual que poderia encaixar perfeitamente na geração de consolas anterior. Embora os modelos de personagens estejam até bastante aceitáveis, com uma sincronização labial competente e a fazer justiça aos heróis do universo da Marvel – como Wolverine, Gambit, Cyclops, Nightcrawler, Magneto ouMystique – tudo o resto parece pouco detalhado e “vazio”. A interactividade com os cenários é escassa e normalmente resume-se aos saltos entre plataformas, trepar fachadas ou ferros, partir caixas com recargas de energia e descobrir objectos coleccionáveis. Se o vosso plano era utilizar o poder da mente para atirar aquele frigorífico contra o mais horrível dos inimigos, o melhor mesmo é desistir. Inclusive do frigorífico, pois não vão encontrar nenhum.

Este role-playing de acçãodesenvolvido pela Silicon Knights (criadora de Gex eMGS: The Twin Snakes) possui uma jogabilidade que vai minimamente ao encontro daqueles que são os padrões do género. No início teremos de escolher um de três poderes base que nos irão acompanhar ao longo de toda a jornada:Density Control, habilidade de controlar a força física e de transformar o nosso corpo num autêntico tanque de guerra,Shadow Matter, uma capacidade que prima pela rapidez e que nos permite materializar o nosso corpo em interessantes sequências de ataques e, por último, Energy Projection, a mais “explosiva” das escolhas e a mais acertada para quem não quer fazer do contacto físico a sua principal arma.

As combinações necessárias para a utilização das habilidades de cada poder - que podem ser evoluídas até um máximo de quatro níveis com a experiência acumulada ao derrotar inimigos - são executadas sempre da mesma forma independentemente da nossa preferência de estilo de combate: ataques básicos (no caso da PS3 feitos com quadrado e triângulo) podem ser alternados com ataques especiais que surgem com o decorrer da aventura (basta adicionar R2), e a sequência de botões para a realização dos mesmos é sempre igual seja qual for o nosso poder. Isto não significa que este aspecto seja inteiramente negativo, contudo esta extrema facilidade e escassez de combinações variadas (o que implementaria uma maior “estratégia” ao combate) pode incitar ao button mashing puro e duro.

Para além dos diferentes poderes,X-Men Destiny tem como um dos seus principais argumentos os X-Genes. Estes consistem na implementação de características ofensivas, defensivas e de mobilidade inerentes a outros mutantes na nossa própria personagem, o que fará com que as nossas acções possam assemelhar-se um pouco mais às dos NPCs presentes no jogo. OsX-Genes podem ser conseguidos através de missões bem-sucedidas ou de simples buscas pelo cenário, havendo ainda a possibilidade de nos “sair na rifa” os fatoscorrespondentes às habilidades “equipadas” e que, utilizados em conjunto com estas, desbloqueiam o poderosíssimo X-Mode – utilização temporária do estilo de combate de um mutante específico.

O número de diferentes inimigos coaduna com a variedade dos desafios impostos: relativamente pobre. Às três ou quatro distintas hordas de “maus da fita” juntam-se por vezes alguns mini-bosses, normalmente mechs ou incendiários, em duelos que geralmente só terminam após a extinção total do perigo na área ou com a chegada do cronómetro aos zero segundos (isto no caso das Challenge Arenas, os tais desafios propostos pelas duas facções de mutantes rivais). Embora não tenhamos em nenhum momento a possibilidade de controlar qualquer um dos famosos heróis ou vilões, estes têm um papel preponderante na acção, podendo em algumas situações específicas lutar ao nosso lado… ou contra nós. Ainda assim, a cereja no topo do bolo acaba mesmo por ser as batalhas contra (alguns) bosses, alguns pela sua dificuldade e outros só pela simples fuga à “rotina”.


Ao contrário do que possam estar a pensar (sim, e isto é para aqueles sujeitos que gostam de julgar as coisas sem nunca lhes ter tocado) X-Men Destiny é um título capaz de proporcionar alguns bons momentos de diversão. Porém, as falhas de framerate são assustadoras e chegam, por vezes (nomeadamente em ocasiões onde existe um grande número de inimigos presentes no ecrã), a prejudicar a experiência de jogo. A juntar a estas falhas temos também as de som, um parâmetro que aos razoáveis efeitos sonoros junta um trabalho de vozes capaz do melhor e do pior. O sotaque francês de Gambit é hilariante, mas nada que chegue aos calcanhares do guru que é Zezé Camarinha.

ausência de modos multijogador ou online é “compensada” com a possibilidade de elaborar uma nova campanha (num grau de dificuldade igual, inferior ou superior) com todos osupgrades conseguidos até então ou até de repetir os níveis e desafios que não nos tenham corrido de feição. Porém, e embora existam outras personagens e poderes por experimentar, dificilmente terão vontade de investir mais 3 a 6 horas numa nova “rodada”.

Enquanto jogo de acção, X-Men Destiny é pouco mais do que banal. Ainda assim, é de louvar a utilização de organizações (como os U-Men), mutantes e bossesque se mantêm fiéis a este universo fantástico numa aventura consistente e que neste aspecto agradará, acima de tudo, aos fãs das comics. Porém, se depois de lerem esta análise ficaram desmotivados quanto a uma possível compra, talvez seja realmente o vosso “destino” a falar mais alto.
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Mediano


Adaptação consistente e fiel ao universo X-Men
Variedade de X-Genes
Jogabilidade relativamente divertida
Presença de personagens que farão as delícias dos fãs das comics
"New Game Plus" e possibilidade de repetir desafios e missões
Grafismo pobre
Quebras na framerate
Falhas sonoras e trabalho de vozes com sotaques hilariantes (ex: Gambit e Colossus)
Longevidade e ausência de modos multijogador e online
Escolha do nosso "destino" não é o que se esperava
analise do mygame

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